Thursday, March 11, 2010

Terrível amor



Pede-se desde já desculpa pela insistência no assunto, mas este "Terrible love", canção de avanço para o novo disco dos The National, é demasiado genial para passar sem qualquer menção. Foi estreado ontem, dia 10 de Março, no programa do Jimmy Fallon, como se mostra no clip acima. Deve passar dentro de algumas semanas na SIC Radical, portanto...
E, deste modo, está encontrado o melhor álbum do ano, que me perdoem as boas gentes que se preparam para, eles também, editar novos discos. Sim, meus mui queridos LCD Soundsystem, Arcade Fire e Interpol, estou a falar de vocês!

Saturday, March 6, 2010

Altamente violeta


Agora é oficial, meine damen und herren: o novo e mais-aguardado-do-que-o-plano-de-estabilidade-e-crescimento quinto longa duração dos The National vai chamar-se "High Violet" e verá a luz do dia a 11 de Maio próximo (dia 10 para os sortudos dos nativos da Grã-Bretanha). O disco terá selo 4AD, que parece estar a dar cartas nestes inícios de 2010: com efeito, depois dos magníficos discos dos Tindersticks e dos Efterklang, vem aí (pelo menos assim o fanaticamente esperamos...) nova obra prima!
Já existe um site dedicado ao disco, que pode ser visitado aqui. Para já contém apenas fotos das sessões de gravação e 5 breves clipes, mas apostamos que em breve serão adicionados novos e sumarentos conteúdos...

Sunday, February 14, 2010

How to make friends and influence people


O Público trouxe na sua edição de ontem uma muito interessante reportagem, de título "E se todos chorassem durante um despedimento colectivo?". Nela ficamos a conhecer alguns simpáticos cidadãos que se dedicam, tal como a personagem interpretada por George Clooney (nota de rodapé: trata-se do nosso actor favorito, uma vez que somos quase sósias) no filme "Nas nuvens", a essa fascinante actividade que consiste, basicamente, em colocar pessoas no olho da rua, ou seja, despedi-las. Ficamos ainda a saber, segundo uma das criaturas entrevistadas (trata-se de um advogado, peço desculpa pela alusão pornográfica), que tal forma de vida lhe faz "doer a alma" e que, por vezes, já lhe aconteceu "ir para casa a pensar", piedoso acto que lhe sucede por ter "pena das pessoas".
O escriba, pessoa sensível como é e emocionado com tamanha honestidade intelectual, deseja sinceramente que o indivíduo em causa se torne, o mais depressa possível, alvo da delicada atenção de um espécime semelhante ao que adorna este post. E aí, garante, vai ele também para casa a pensar, com pena da pessoa em causa...

Saturday, February 13, 2010

Batata quente



De que forma poderia o modesto escriba recomendar ao seu vasto e atento auditório "One life stand", quarto longa-duração dos excelsos Hot Chip? Poderia começar por endeusar a faixa que lhe empresta o nome, e cujo vídeo serve de epígrafe a este post. Ou admirar a forma desavergonhada como dois dos elementos da banda utilizam modelos de óculos em desuso desde, pelo menos, 1986. Poder-se-ia, ainda, recomendar a rodela dizendo tratar-se de uma edição com o selo DFA Records, casa de um certo James Murphy, indivíduo cujo bom gosto é por demais conhecido.
Mas tais esforços são de todo em todo desnecessários. Com efeito, basta dizer que a malta compincha do Ípsilon, em resenha dada à estampa na edição de ontem, 12 de Fevereiro, considerou este um "disco inútil".
Conhecida como é a pontaria certeira daqueles amadores, trata-se naturalmente do maior elogio possível...

Thursday, February 11, 2010

Nelson Mandela is free



Cumpre-se hoje o 20º aniversário da libertação de Nelson Mandela. Um dos símbolos da luta contra a opressão e um dos heróis de um século que, infelizmente, contou com poucos homens da sua têmpera.
Em jeito de homenagem sincera, o escriba deixa esta preciosidade acima aposta. Em 1985, Steve Van Zandt, aka Little Steven, aka Silvio "Sopranos" Dante, camarada de guitarras de Bruce Springsteen e membro fundador da eterna E Street Band, arregimentou um grupo de amigos, entre os quais o seu Boss, Bono, Peter Gabriel, Bob Dylan e outras luminárias das mais variadas áreas de expressão musical, do rock ao rap e do jazz ao soul, fundando os Artists Against Apartheid. Este "Sun city" foi o single de avanço ao álbum com o mesmo título, e nele os artistas contra o apartheid vociferavam contra a estância turística de luxo com o mesmo nome, que Van Zandt descobrira numa viagem à África do Sul e onde os negros não podiam entrar. Inteligentemente, o guitarrista, autor do tema, utilizou a imagem do inacessível empreendimento como metáfora do apartheid.
Tão nefasto sistema político não existe nos nossos dias. Devemos isso a homens como Nelson Mandela e, também, porque não, Steve Van Zandt.

Tuesday, February 9, 2010

A queda de um anjo



Peço desculpa. Repito: peço desculpa. Por colocar este vídeo. Como atenuante para tão grande atentado ao pudor só posso alegar (já que "sanidade temporária", no nosso caso, é uma impossibilidade biológica. Referimo-nos à parte do "temporária", naturalmente...) que estamos a aproximar-nos a passos largos (com sapatos de palhaço, obviamente) da quadra carnavalesca e, durante alguns nanosegundos, achei piada ao infortúnio do Grande Artista Que Usa Óculos De Sol Ad Eternum. Estou arrependido, asseguro-vos. Então porque é que, mesmo assim, postei isto, perguntam os mais mesquinhos e sisudos de vós? Ora, porque um vídeo com a presença, ainda que breve, da Cláudia Vieira, essa ode aos talentos de escultor do Divino, é um "bibelot" que fica muito bem em qualquer estabelecimento e disso, meus amigos, nunca nos devemos arrepender...

Sunday, February 7, 2010

O político-tributo


O promissor, apesar de ainda muito jovem, Pedro Passos Coelho (Doutor) surpreendeu o país político ao revelar, no seu livro acabado de dar à estampa, de título "Mudar" (título esse, nunca é demais lembrar, inspirado no célebre fado "Mudar de vida"), ter inventado o inovador conceito do político-tributo.
Para sabermos mais deste fascinante conceito, e como o Pedro propriamente dito não nos atendeu o iPhone, falámos com o seu mentor, o conhecido adepto futebolístico Francisco José Viegas, numa agradável conversa que a seguir se reproduz.
Nós: Francisco, antes de mais, obrigado por nos teres concedido estes minutos da tua muito preenchida agenda.
Francisco: Ora essa, tenho o maior gosto!
Nós: Explica-nos então o que vem a ser isso do político-tributo...
Francisco: Com todo o gosto e, já agora, obrigado por teres colocado essa questão. O Pedro, como tu sabes, é um melómano. E, ao adquirir bilhetes para o espectáculo dos Australian Pink Floyd, o qual, já agora e desculpar-me-ás o aparte, recomendo vivamente, veio-lhe à mente a seguinte ideia: "Porque é que as pessoas pagam bilhete para ver bandas-tributo? Ora, porque as bandas verdadeiras ou já não existem, como é o caso dos saudosos Beatles, ou já não dão concertos, como é o caso dos Pink Floyd verdadeiros, os britânicos (há outras bandas que se transformaram nas suas próprias bandas-tributo, como os Rolling Stones, mas isso é outra história, desculpa-me este novo aparte)". O toque de génio do Pedro foi descobrir que este fenómeno se pode, ele também, estender à política, com esse fabuloso conceito do político-tributo!
Nós: Portanto, o político-tributo imitará, se entendo bem o conceito, um político falecido ou afastado das lides?
Francisco: Exacto, pá!
Nós: Isso é brilhante, de facto!
Francisco: Obrigado. É que, e isto que fique "off the record", na verdade, o autor do conceito sou eu...
Nós: Não te preocupes, nada revelarei desta parte da conversa...
Francisco: Mais uma vez obrigado. Mas regressando ao tema, naturalmente que, no caso do Pedro, ele será o político-tributo do meu homónimo...
Nós: o quê? o Francisco Franco?
Francisco: não, porra, o Francisco Sá Carneiro!
Nós: ah, claro, as minhas desculpas. Obviamente, sendo ele um social-democrata...
Francisco: naturalmente. Mas vamos inovar ainda mais, pois o Pedro será o político-tributo de dois políticos!
Nós: Genial! E quem é o outro?
Francisco: o Pedro Santana Lopes. Porque, assim como o Santana ouvia músicas que ninguém compôs, também o Passos Coelho leu livros que ninguém escreveu, por isso as afinidades são mais que muitas...
Nós: brilhante, magnífico!
Francisco: obrigado. E agora tenho que ir, é que eu inventei outro conceito, o escritor-tributo e estou atrasadíssimo para uma sessão de autógrafos do meu novo livro, "O regresso do memorial do convento", que eu escrevi no estilo do Saramago, o Nobel...


Chega!


Sim, chega! Que o nosso Capataz-Mor não tenha cuidado com o nível decibélico que utiliza para proferir dislates, em plena praça pública, acerca de vídeo-jornalistas com falhas nos dentes incisivos, ainda se aceita. Que nos tenha livrado de assistir ao atentado estético semanal que constituía o famigerado "Mentiras de Sexta" da antiga televisão da Igreja Católica, Apostólica, Romana & Cª Ldª, até se agradece.
Agora que Sua Altíssima Serenidade tenha chegado ao ponto de utilizar o pasquim do Engº Miro do Marco para os seus narcisísticos fins, aí é que, francamente, achamos que se ultrapassaram todos os limites da decência e da ética, seja ela republicana ou não!
Confusos? O escriba passa a explicar, então. Apesar de, seguindo o salutar hábito de um antigo primeiro-ministro, o autor destas linhas se recusar a ler jornais, certo é que não pôde evitar dar-se conta que o "Público" vai iniciar a publicação, a partir da próxima quinta-feira, dia 11, de uma colecção de 20 livros que supostamente mudaram o Mundo (o uso do negrito é da nossa exclusiva responsabilidade, que fique bem claro). Ora, sucede que entre obras do calibre de "A origem das espécies" de Charles Darwin, ou "Hamlet" de William Shakespeare, se encontra um opúsculo de título, vejam bem a desfaçatez desta gente, "Apologia de Sócrates". Vou repetir: "Apologia de Sócrates"! O autor, continuando a citar o "Público" ,é um tal de Platão. Confessamos a nossa ignorância quanto à identidade de tal cidadão. Decerto trata-se de um dos muitos apparatchik que pululam nessa cloaca fétida que é o nº 2 do Largo do Rato.
Eis pois o escândalo em toda a sua vergonhosa plenitude: o Primeiro-Ministro de Portugal utiliza um diário de expansão nacional, supostamente independente, para os seus mefistofélicos fins! Isto nem na Coreia do Norte, cavalheiros!
Basta, senhores! É tempo de dizer um firme e democrata "não" a esta gente!

Saturday, February 6, 2010

A nova divisão do prazer?



No género "gosto tanto do Ian Curtis que quero ser enterrado vivo ao lado da campa dele", estes Project:Komakino (Komakino, perceberam a muito subtil alusão joy-divisioniana? Perceberam, hã, hã? Se não perceberam eu explico...) não são nada de deitar fora. "Struggle for Utopia" é o seu primeiro álbum e demonstram nele que as muitas horas passadas ao espelho a imitar as poses do santo protector da depressão não foram em vão. O que, rimando, não deixa de ser verdade.

Wednesday, February 3, 2010

Visitas a chegar?


Correm rumores, repito: rumores, que esta maralha vai visitar-nos ainda este ano, muito provavelmente no Verão. Dizem-me ainda que, pelos lados de Paredes de Coura, há um quarto numa pensão manhosa reservado em nome de um tal Berninger, Matt.
Será verdade?
Não... por enquanto! O escriba pede desculpa por este exercício de má ficção, mas sabendo-se que os The National, pois que é deles que se fala, têm disco novo em folha, a estrear lá para Maio e trazido pela mão amiga da 4AD, não custa muito imaginar uma série de espectáculos neste nosso cantinho à beira mar defecado, a realizar lá para o segundo semestre.
Pelo sim, pelo não, convém colocar este site nos favoritos do vosso browser (claro que só pode ser o Firefox...)

Acólitos



Chamam-se Delphic e chegam-nos das brumas de Manchester, ali para os lados da velha Albion. Não têm vergonha alguma de assumir as suas influências (já se deixaram fotografar ao lado de um certo Bernard Sumner, por exemplo) o que leva este modesto escriba a, também ele, não ter vergonha de declarar o seu álbum inaugural, "Acolyte", como um forte candidato à lista de melhores do ano. Sim, estamos em Fevereiro, 2010 ainda mal gatinha, o Orçamento do Estado nem sequer se encontra em vigor, mas que se lixe: antecipado pelos fortíssimos singles "Counterpoint", "This momentary" e "Doubt", todos eles editados durante 2009, "Acolyte" não nos sai da massa encefálica!
Nota da gerência: este post é servido guarnecido com o "clip" oficial do 4º single, "Halcyon", o qual se encontra no prelo com edição prevista para Março.

Monday, February 1, 2010

O sapo


Isto é um sapo. Mas não é um sapo qualquer, não senhora. Trata-se de um raro exemplar da espécie Poetticcus Battraquiccus, estirpe originária das verdejantes planícies que bordejam o Rio Águeda. Este exemplar, no entanto, foi capturado quando ainda girino e levado para Lisboa, onde a temperatura mais amena o fez crescer para dimensões nunca vistas antes.
E é este mesmo sapo que o escrevedor vai ter que engolir, algures nas calendas de 2011, quando chegar a presidential election season...

Malcontentes à solta


De seu nome de baptismo Malcontent, esta banda composta por 4 (quatro) empedernidos e orgulhosos tripeiros conseguiu o não pequeno feito de surpreender (pela positiva, entenda-se) o autor destas virtuais linhas. Com efeito, o seu disco de estreia, de sua graça "Love the gun", revela-se uma obra coesa, coerente e, a espaços surpreendente, como nesse portentoso "It's all in your mind", em que a voz samplada do poeta lisérgico William S. Burroughs, à laia de um alucinado mestre de cerimónias, serve de porta de entrada para uma canção propulsionada por um "riff" da mais pura escola Reidiana.
Sem receio de evidenciar as suas óbvias influências (ecos de Jesus & Mary Chain, Black Rebel Motorcycle Club e da escola "shoegaze" passeiam-se por aqui livremente), os Malcontent usam-nas como ponto de partida para uma escrita de canções, da responsabilidade do vocalista/guitarrista Sérgio Costa, de uma surpreendente maturidade. Uma palavra de apreço, ainda, para o design do objecto, de uma austeridade notável.
Mais uma banda a passar-nos ao lado? Nem pensar nisso!
Resta avisar que o disco, lançado, em edição de autor, quando o ano da Desgraça de 2009 exalava o seu último fétido suspiro, se encontra disponível online na mui recomendável yeah-music e onthestore na mítica Jo-Jo's, ali para os lados de Cedofeita Street.
Edit: avisa voz amiga que o disco estará, em breve, disponível para aquisição nesse templo de maus costumes que é a FNAC, local onde o escriba, de qualquer modo, só entra quando sente necessidades fisiológicas que convém satisfazer quanto antes. Fica o aviso, no entanto...