
O promissor, apesar de ainda muito jovem, Pedro Passos Coelho (Doutor) surpreendeu o país político ao revelar, no seu livro acabado de dar à estampa, de título "Mudar" (título esse, nunca é demais lembrar, inspirado no célebre fado "Mudar de vida"), ter inventado o inovador conceito do político-tributo.
Para sabermos mais deste fascinante conceito, e como o Pedro propriamente dito não nos atendeu o iPhone, falámos com o seu mentor, o conhecido adepto futebolístico Francisco José Viegas, numa agradável conversa que a seguir se reproduz.
Nós: Francisco, antes de mais, obrigado por nos teres concedido estes minutos da tua muito preenchida agenda.
Francisco: Ora essa, tenho o maior gosto!
Nós: Explica-nos então o que vem a ser isso do político-tributo...
Francisco: Com todo o gosto e, já agora, obrigado por teres colocado essa questão. O Pedro, como tu sabes, é um melómano. E, ao adquirir bilhetes para o espectáculo dos Australian Pink Floyd, o qual, já agora e desculpar-me-ás o aparte, recomendo vivamente, veio-lhe à mente a seguinte ideia: "Porque é que as pessoas pagam bilhete para ver bandas-tributo? Ora, porque as bandas verdadeiras ou já não existem, como é o caso dos saudosos Beatles, ou já não dão concertos, como é o caso dos Pink Floyd verdadeiros, os britânicos (há outras bandas que se transformaram nas suas próprias bandas-tributo, como os Rolling Stones, mas isso é outra história, desculpa-me este novo aparte)". O toque de génio do Pedro foi descobrir que este fenómeno se pode, ele também, estender à política, com esse fabuloso conceito do político-tributo!
Nós: Portanto, o político-tributo imitará, se entendo bem o conceito, um político falecido ou afastado das lides?
Francisco: Exacto, pá!
Nós: Isso é brilhante, de facto!
Francisco: Obrigado. É que, e isto que fique "off the record", na verdade, o autor do conceito sou eu...
Nós: Não te preocupes, nada revelarei desta parte da conversa...
Francisco: Mais uma vez obrigado. Mas regressando ao tema, naturalmente que, no caso do Pedro, ele será o político-tributo do meu homónimo...
Nós: o quê? o Francisco Franco?
Francisco: não, porra, o Francisco Sá Carneiro!
Nós: ah, claro, as minhas desculpas. Obviamente, sendo ele um social-democrata...
Francisco: naturalmente. Mas vamos inovar ainda mais, pois o Pedro será o político-tributo de dois políticos!
Nós: Genial! E quem é o outro?
Francisco: o Pedro Santana Lopes. Porque, assim como o Santana ouvia músicas que ninguém compôs, também o Passos Coelho leu livros que ninguém escreveu, por isso as afinidades são mais que muitas...
Nós: brilhante, magnífico!
Francisco: obrigado. E agora tenho que ir, é que eu inventei outro conceito, o escritor-tributo e estou atrasadíssimo para uma sessão de autógrafos do meu novo livro, "O regresso do memorial do convento", que eu escrevi no estilo do Saramago, o Nobel...